sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fé

Por vezes, é tudo o que nos resta. O último grão de areia da praia da alma.

A tua dor é a minha dor, tal como os teus momentos bons me contagiam. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para te dar a conhecer o lado iluminado da vida. Abrirei as portas dos meus limites, se necessário for. Sem hesitar, sem pestanejar.

Estou de corpo e alma solidário para contigo.

És uma pessoa tão extraordinariamente ESPECIAL! Não duvides disso NUNCA.
Todos os que têm o deslumbrante privilégio de conviver contigo com certeza partilham da minha opinião.

Em breve, muitas coisas mudarão...

Eu tenho fé de que a felicidade e tu se encontrarão. Em breve. Acredita. A partir deste preciso momento.

Pinto

Não seques


Os dias passam, e é com preocupação que me apercebo disso. A água escorre pelos dedos e a pouca que fica, rapidamente seca...
Por vezes, tenho a explosiva sensação de que as pessoas não estão comigo, passam-me ao lado. Não me compreendem, não conseguem perscrutar os confins da minha mente. Olham para mim e não entendem o meu apelo de me abraçarem a alma. De me preencherem por completo.

Pinto

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

medo

Assustada. É o sentimento rei que me domina nos últimos tempos. De quê? Às vezes nem sei, outras vezes sei demais. Eu tenho tendência a exagerar nas coisas, e a arrepender-me logo de seguida. Exagero nas piadas, e a seguir arrependo-me, por ver que há quem não tenha achado piada. Exagero no tom de voz, e a seguir arrependo-me, por ver que há quem tenha ficado magoado. Exagero nas discussões, e a seguir arrependo-me, por ver que não tinha assim tanta razão. Assusta-me ver que, sempre que exagero, acabo por perder algo, ou pelo menos deixar algo por um fio. Há dias em que tenho medo de deixar escapar as pessoas de quem mais gosto. Tenho medo de que o tempo acabe por nos afastar definitivamente. Tenho medo de deixar que a familiaridade que tenho com outras pessoas faça passar para segundo plano aquelas que nunca do primeiro deveriam sair. Tenho tendência a exagerar na distração, a esquecer-me do mundo que me rodeia, a deixar que o cansaço me vença. E há dias em que me apercebo que já quase nada sei dos que me rodeiam. Não sei o que eles fazem, como vai a vida, tudo porque estava distraída demais e esquecia-me que essas pessoas dão-me, todos os dias, uma óptima razão para sair da cama com um sorriso, mesmo que seja daqueles dias em que estou a morrer de sono e que a manhã esteja tão gelada que vestir-me é um martírio. Deram-me um motivo para viver uma autêntica história, não de encantar, porque tem agressão e palavrões a mais (como diz a sabedoria popular, "quanto mais me bates mais gosto de ti"), mas uma que vale a pena viver, com um "e viveram felizes para sempre".
Tenho medo de um dia olhar em volta, aperceber-me de que vocês já não estão comigo, que a história chegou ao final, e que o único vilão que tudo destruiu fui eu.


rm

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um pensamento...

"As coisas não têm significado: têm existência. As coisas são o único sentido oculto das coisas."

Fernando Pessoa
Indira

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Se a vida fosse um sonho... #



(o português nem sempre é o melhor, mas a ideia está lá)
Juanna #

Abraços...


Sentir o nosso coração ao mesmo tempo que o de alguém a quem damos um abraço faz-nos de tal maneira bem à saúde, traz-nos uma tal paz, que até existe uma forma de tratamento chamada Terapia do Abraço.
Um bom abraço ajuda-nos a sentir as muitas dimensões do amor: a facilidade para receber e dar, a sensibilidade para o sofrimento, a disponibilidade para a alegria de se divertir e a profundidade da ternura.
Abraçar alguém é como dizer-lhe: "Olha, aqui estou para o que quiseres, de coração aberto para ti". O que implica aceitar ser rejeitado. Mal interpretado. Correr esse risco.
No entanto, só se a atitude interior, o pano de fundo a partir do qual nos relacionamos com os outros, for de lhes estender os braços e de os tocar, poderemos descobrir o valor da partilha.
Não são só as pessoas solitárias, infelizes, inseguras, que precisam ser abraçadas. Abraçar bem dá-nos saúde. Mas não se trata de abraços sociais, de conveniência, em que duas pessoas se tocam apenas por fora – portanto não se tocam -, nem de abraços de dois amantes apaixonados que um ao outro se agarram.
São abraços que acontecem porque saem cá de dentro sem que os travemos. Como expressão de um amor incondicional que nos habita – e de que não temos medo, porque o olhamos como algo que verdadeiramente nos liberta.
A intimidade que um abraço sincero oferece é a da compreensão. Da atenção. Da solidariedade. Da amizade que existe para lá da exaltação dos sentidos, apenas por ter a consistência daquilo que brota do fundo de nós mesmos e que se mantém quer faça sol quer chova.
Abraços são uma espécie de foguetes capazes de fazer despertar moribundos ou fazer levantar da cama preguiçosos. Explosões de vida. Há quem goste de os dar para reafirmar um vínculo de amizade ou qualquer outro sentimento. E são uma das melhores festas gratuitas a que toda a gente tem acesso. São abraços do fundo do coração, frequentes entre duas pessoas que, por nada pedirem uma à outra, de cada vez que se encontram recebem sempre muito – e apenas por isso são levadas a celebrá-lo.
Quando um coração se abre para outro coração, há quase sempre uma qualquer maravilha que pode acontecer. Ou, quanto mais não seja, uma sensação de paz possível, neste mundo cheio de guerras em que vivemos.

Adaptado do texto "Venha daí um bom abraço!",
Mais e Melhor, Maria José Costa Félix





Indira

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

o lado bom da vida



Apaixona-te definitivamente pelo teu sonho... o sonho de ninguém deve ser mais apaixonante do que o teu. Apaixona-te pelo teu talento. Apaixona-te mais pela viagem do que pela chegada ao destino. Desapaixona-te dos teus medos, eles minam a tua alegria de viver. Apaixona-te pelas tuas memórias mais deliciosas, ninguém pode tirá-las de dentro de ti. Apaixona-te por aquele riso contagiante. Apaixona-te por alguém... apaixona-te pelo teu projecto de vida, acredita. Apaixona-te pela dança da vida que está sempre em movimento. Apaixona-te pela ideia de ser verdadeiramente feliz. Apaixona-te pela música que tu podes ser para alguém... apaixona-te definitivamente por ti. O poder de nos apaixonarmos só a nós pertence!

Junior Kinsell
avrp

Pensamento Positivo #




"A hora mais escura da noite é justamente aquela que nos permite ver melhor as estrelas".



Charles A. Beard

Juanna #

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sorria =)


"Ninguém está bem vestido sem um sorriso."


Indira

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CONTA-NOS UMA MEMÓRIA...

(CLICAR SOBRE A IMAGEM PARA A AUMENTAR)
*
Em breve começarão a ser publicados no blogue da OFICINA DE ESCRITA (http://esjcp-ofe.blogspot.com/) textos escritos por professores, funcionários, encarregados de educação de alunos da nossa Escola, alusivos ao tema «CONTA-NOS UMA MEMÓRIA...»
*
Começa a passar por lá... lê e comenta o que contam sobre si... e que perdura nas suas memórias.
Vais surpreender-te!
*
CC

sábado, 30 de janeiro de 2010

UMA MENSAGEM

Nada do que ter a vida ameaçada para se dar mais valor a ela.
Pessoas que têm tudo para se ser feliz na vida, e que por “coisinhas” minúsculas dizem: não tenho sorte nenhuma; porquê a mim?; a vida corre-me tão mal; blá blá blá...
Outras, nem tão pouco têm e consomem-se em imensos problemas GRAVES, e raro se lamentam. Quando me refiro a graves em letras maiúsculas, é porque são mesmo graves, a doença (seja qual for), a fome, a pobreza, a solidão, enfim, pessoas completamente sozinhas no mundo.
Desfrutem mais a vida, das pequenas coisas que ela nos pode oferecer e, nós agarramo-las com fé e, deixem para trás os minúsculos problemas se têm tudo ou quase tudo para se ser feliz. As zangas com o namorado; a gordura amais no corpo; o telemóvel que se estragou ou as mensagens que se acabaram; a peça de roupa que queriam tanto e não havia o tamanho; a perda do autocarro; etc. Estes pequeníssimos problemas (que não os considero como tais) ficarão para trás das costas ou então, encaramo-los com a maior descontracção e não a lamentar!
Aproveitar o Dia, isto é, o (nosso) Carpe Diem.

vanessa m.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

o menino que consertou o mundo

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para as suas dúvidas. Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar.

Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse distrair-lhe a atenção. Até que se deparou com o mapa do mundo. Com o auxílio de uma tesoura, recortou-o em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho:

Vou-lhe dar o mundo para consertar. Veja se consegue. Faça tudo sozinho.

Pensou que, assim, estava se livrando do garoto, pois ele não conhecia a geografia do planeta e certamente levaria dias para montar o quebra-cabeças. Uma hora depois, porém, ouviu a voz do filho:

Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

Para surpresa do pai, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?

O menino respondeu:

Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e descobri que havia consertado o mundo.



autor desconhecido


r.m.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Shakespeare



Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri. É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas. Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas agigantam-se e encolhem-se aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho.


William Shakespeare

avrp

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mulher despida


"Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher despir-se de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente. Muito mais intenso é assistir a uma mulher desabotoar as suas fantasias, as suas dores, a sua história.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder os seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos orgulharmo-nos das nossas falhas, pois são elas que nos tornam humanas, e não bonecas de porcelana. Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.

Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornais mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expôr os nossos segredos e insanidades, revelar o nosso interior. Mas é o que devemos continuar a fazer. Despir a nossa alma e mostrar quem realmente somos, o que trazemos por dentro.
Não conheço streep-tease mais sedutor."


Indira

domingo, 24 de janeiro de 2010

METADE



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também
.

CC

sábado, 23 de janeiro de 2010

saudades

As saudades são facas afiadas que nos atravessam o corpo em momentos nostálgicos. E, o mais engraçado, é que sentimos saudades, por vezes, das coisas mais tolas que possam existir, ou até mesmo de coisas que nos fizeram sofrer. Quando aparecem coisas mais concretas na nossa vida, coisas que nos conseguem baralhar completamente os sentimentos, o medo com a esperança, a impotência com a vontade, sentimos saudades das dorzinhas medíocres das paixonetas falhadas (e não passamos a usar diminutivos nas palavras que se referem ao passado por este não ter doído, mas sim por ser de minúscula importância comparado com o que lidamos). Quando passamos a ter um horário completamente ocupado, ao princípio parece bom termos a mente ocupada, parece-nos bem distraí-la o mais possível, mas a dada altura desejamos riscar a agenda e deixar grandes espaços em branco para nos dedicarmos à arte de nada fazer (e, se alguém nos liga a marcar sessão, respondermos com a amável frase "Está tudo preenchido"). Quando estamos na sala ao lado das pessoas de quem mais gostamos, sentimos saudades de quando estavamos sempre com elas e já não nos podiamos ver à frente. Quando não temos trabalhos de grupo para fazer, a princípio, parece-nos bem, não nos temos de preocupar em buscar horas compatíveis, a discutir ideias, a aceitar as ideias dos outros de que não gostamos assim tanto. A longo prazo, desejamos que alguém nos dê um tema e nos largue o trabalho nas mãos porque, todos sabemos, 90% do trabalho de grupo é paródia, e sobram apenas 10% para o trabalho, embora só nos apercebamos destas percentagens quando não nos temos de preocupar com elas. Quando decidimos sermos os nossos próprios confidentes, às vezes temos saudades daquela capacidade que tínhamos de desabafar com as pessoas.
Tenho saudades do mar de coisas, de oportunidades, de rotinas que, até há bem poucos meses, eu tomava como certas.

rm

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Contraste



Eu estava fixada nessa árvore sem saber o porquê, e tu reclamavas, reclamavas por eu estar sempre a olhar para ela.
Porquê? Nem eu sei...
Tinha o meu pensamento parado, as ideias não me surgiam, as palavras não queriam falar.
Parecia já nem conhecer o sitio, parecia que não era eu, que não eras tu, que não éramos nós...

E eu olhava, fascinada, continuava a olhar para essa árvore que me acalmava sem motivo algum.
Então percebi!
O meu inconsciente tornou se consciente, lembrei-me do que eu já tinha esquecido, não era a primeira vez que eu para ela olhava, não era a primeira vez que eu ali estava.
Ao fim de algum tempo, ali estávamos nós, no nosso jardim... o que existia ainda existe, até a árvore...
A nossa história não acaba...
Saudades de estar ali, tinha de lhe tirar uma fotografia.

gi~

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ASSIM SÃO AS AMIZADES ESPECIAIS

Algo sempre marcou a nossa vida, pois na nossa caminhada cruzamos-nos sempre com algumas pessoas que deixaram alguma marca especial. São aquelas amizades que de uma maneira ou de outra, deixaram marcas indeléveis da sua passagem. Seja porque nos despertaram um sentido de carinho mais especial, seja porque nos fizeram algum ou alguns grandes favores. Em suma, as razões são várias, mas acredito que todos nós sempre tivemos esse alguém muito especial na nossa vida. Seja de hoje, de ontem, ou do século passado, as marcas ficaram. E porque não dizer, relacionamentos vindos de outras vidas. Quem é especial...fica! Dizem que se leva um minuto na vida para reparar numa pessoa especial, uma hora para apreciá-la, um dia para amá-la, mas é necessário uma vida inteira para esquecê-la...E por vezes nunca conseguimos esquecê-la, pois ela é uma dessas pessoas especiais que sabe-se lá por quais razões, despertaram um sentimento especial, algo como uma afinidade maior. Alguma coisa bateu lá dentro e pronto, simpatizamos por demais com um certo alguém. Bateu aquela coisa diferente na nossa alma, houve um entendimento, aparentemente inexplicável. Aquele não sei o que e nem bem porquê, mas que é o que chegou, entrou e marcou em definitivo. Muitas vezes somos tratados de uma mesma maneira por pessoas diferentes, mas o que "cai bem" se dito por uma, pode nos parecer antipático se dito por outra. Porquê isso? Uma das explicações que já ouvi, e da qual partilho, faz alusão a resgates de vidas anteriores. Mas tal lógica pode parecer ilógica para quem não aceita a teoria da reencarnação. E não se pode jamais discutir o mérito da questão. Cada qual tem os seus pontos de vista, que sempre devem ser respeitados, salvo se desejar se aprofundar no assunto. Existem diversas explicações, mas o certo é que isso realmente ocorre. Esse fenómeno que determina a nossa simpatia por alguém e a nossa antipatia por outro alguém é um facto indiscutível. Explicações? São por demais subjectivas, e passíveis de polémica. Em nome da amizade, para que criá-las? É importante saber aceitar o facto em si, sem tentar saber o porquê do que desperta tais sentimentos. O interessante é que muitas vezes pensamos desfrutar de uma amizade muito especial, mas por motivos alheios à nossa vontade, essa amizade se desmancha, e prontamente nos esquecemos dela. E de outras fica mais difícil, e sempre tentamos uma reaproximação. Por que rapidamente assimilamos uma ausência e outras não?Por que existem pessoas que desejamos que fiquem horas a nosso lado a conversar, e outras que à sua simples presença, já esperamos que logo nos favoreça com a ausência? Fala-se que todos nós temos uma aura à nossa volta. Alguns têm-na positiva, e atraem amizades. Outros têm-na negativa, e repelem amizades. É uma explicação bem simplista e com muita lógica. Por que então, uma mesma pessoa tem amigos e inimigos? Por que A atraiu a amizade de B, e a inimizade de C? Realmente é curioso isso. Não existe pessoa que não tenha sequer um amigo. Então a aura, por mais negativa que seja, atraiu a positividade de alguém, ou será uma outra aura igualmente negativa? São os opostos ou os semelhantes que se atraem? Por que uma pessoa é simpática para muitos, e antipática para outros? Convenhamos que a primeira teoria tem um pouco mais de lógica. Temos que convir que é muito difícil esquecer uma velha e boa amizade, lá isso é.
Tenho diversos e bons amigos perdidos nas brumas do passado, mas que sempre estão nas lembranças, e de vez em quando bate uma saudade. E se ocorre algum reencontro, é uma festa digna de nota.
(Marcial Salaverry)


vanessa m.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sem dúvida, dois livros de leitura obrigatória

No dia 11 de Novembro, Verónica decidiu que havia - afinal! chegado o momento de se matar...
e não se estava a matar porque era uma mulher triste, amarga, vivendo em constante depressão... Haviam duas razões:

A primeira é que tudo na sua vida era igual, e - uma vez passada a juventude - seria a decadência...

A segunda, Tudo o que se estava a passar no mundo estava errado e ela não tinha como reparar isso...

Quanto tempo me resta?- Repetiu Verónica, enquanto a enfermeira dava a injecção.

- Vinte e quatro horas. Talvez menos.

"Ela baixou os olhos, e mordeu os lábios. Mas manteve o controlo.

- Quero pedir dois favores.

O primeiro, que me dê um remédio... de modo que eu possa ficar acordada, e aproveitar cada minuto que restar da minha vida. Eu estou com muito sono, mas não quero mais dormir, tenho muito que fazer - coisas que sempre deixei para o futuro, quando pensava que a vida era eterna. Coisas pelas quais perdi o interesse, quando passei a acreditar que a vida não valia a pena.

- Qual o seu segundo pedido?

- Sair daqui, e morrer lá fora. Preciso de subir ao castelo de Lubljana, que sempre esteve ali, e nunca tive a curiosidade de vê-lo de perto... quero andar na neve sem casaco, sentindo o frio externo - eu, que sempre estive bem agasalhada, com medo de apanhar uma constipação.

Enfim, Dr. Igor, eu preciso de apanhar chuva no rosto, sorrir para os homens que me interessam, aceitar todos os cafés para os quais me convidem.

Tenho que beijar a minha mãe, dizer que a amo, chorar no seu colo - sem vergonha de mostrar os meus sentimentos, porque eles sempre existiram, e eu escondi-os...

Quero entregar-me a um homem, à cidade, à vida e, finalmente, à morte."


“Fechou os olhos, sentiu que ele também fazia o mesmo. E o sono veio, profundo, sem sonhos. A morte era doce, cheirava a vinho, e acariciava os seus cabelos.”


Paulo Coelho "Verónica decide morrer"




"No fim, tu morres. No fim do livro, tu morres. Assim mesmo, como se morre nos romances: sem aviso, sem razão(...)"

«Éramos donos do que víamos: até onde o olhar alcançava, era tudo nosso. E tínhamos um deserto inteiro para olhar.»

«Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.»

«Parecia-me que já tínhamos vivido um bocado de vida imenso e tão forte que era só nosso e nós mesmos não falávamos disso, mas sentíamo-lo em silêncio: era como se o segredo que guardávamos fosse a própria partilha dessa sensação. E que qualquer frase, qualquer palavra, se arriscaria a quebrar esse sortilégio.»

«Eu sei que ela se lembra, sei que foi feliz então, como eu fui. Mas deve achar que eu me esqueci, que me fechei no meu silêncio, que me zanguei com o seu último desaparecimento, que vivo amuado com ela, desde então. Não é verdade, Cláudia. Vê como eu me lembro, vê se não foram assim, passo por passo, aqueles quatro dias que demorámos até chegar juntos ao deserto.»

"(...) e as fotografias continuaram sempre dentro desse envelope, na gaveta, no mesmo armário. Vinte anos. Só ontem é que voltei a vê-las. Só ontem é que percebi que tinhas morrido."

"Escrever é usar as palavras que se guardaram: se falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer."

"Às vezes, lá onde moro, fico à noite a olhar as estrela como as do deserto e oiço o tempo a passar, mas não me angustia mais: eu sei que é justo e que tudo o resto é falso."

Miguel Sousa Tavares "No teu deserto"


























Indira

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Desprezo...

(Adicionei a imagem. Espero que não te importes, Indira. Considero-a simples, mas bem adequada ao post, uma vez que possui várias interpretações.
CC)

"Já notei que a maior parte dos homens se sente açulada e indignada quando, em pleno combate moral, recorremos à ternura e ao afecto. É vê-los feras amansadas e apanhadas de surpresa assim que recorremos à violência ou à dureza. Raça detestável! Tal preceito mantém-se praticamente inalterável no que respeita ao amor.
Realidade estranha e deplorável, pois, em muitos casos, é igualmente aplicável à amizade; realidade pavorosa, desesperante, mas inevitável, necessária à subsistência das nossas sociedades, dos governos mais democráticos aos mais despóticos. Quando não é refreado nem reprimido, o homem aproveita imediatamente para cometer abusos. Despreza quem o receia e maltrata quem o ama; receia quem o despreza e ama quem o maltrata."

George Sand, in 'Diário Íntimo'

Indira

PS - Pinto, fico à espera do teu comentário =)